Qualificar uma idéia de "boa" ou "ruim" é das práticas mais cruéis que existem no mundo da publicidade. Todos os anos, milhares de idéias inocentes são descartadas já nos brainstorms. Um verdadeiro genocídio criativo. Para acabar com tamanha arbitrariedade, foi criada em 2005 a entidade sem fins lucrativos “The People for the Ethical Treatment of Ideas”. Desde então, a situação precária e humilhante que as idéias esquecidas enfrentam está sendo denunciada, como mostra o filme abaixo.
Muita gente já viu este filme. E quem, como eu, levanta de madrugada (ou vai dormir de madrugada) para poder cumprir seus 10k diários, certamente já se identificou com ele. Peça integrante da campanha Love/Hate, da New Balance, "Anthem" consegue traduzir perfeitamente, em texto e imagens, a profunda dualidade emocional que a corrida provoca entre seus praticantes, alternando prazer e sofrimento, com intensidade e velocidade. Trilha, roteiro, locução e (principalmente) pós-produção impecáveis.
Vampire Weekend, eis o nome da banda. No ano passado, só se falou neles. Saiu até na famosa lista do Nick Hornby, dos melhores de 2008. Confesso que fiquei desconfiado já pelo nome. Ah, mas que diabos: fui ouvir o som. De imediato, formei juízo: "Bando de playboys branquelos maricas, obcecados por Paul Simon...". Fiquei dias odiando um bongô. Mas, para não ser injusto, intolerante, passada a fobia do atabaque, lá fui eu ouvir de novo. E mais uma vez. E todo mundo falando dos caras. Perguntei para alguns amigos, timidamente para não ser mal interpretado (if you know what i mean), o que eles achavam. Não teve um sequer que conhecia os tais. Pois bem. Dei por encerrado o assunto: "Bando de playboys branquelos maricas, obcecados por Paul Simon.". Mas eis que, tempos depois, o assunto retorna à pauta do dia: saiu o novo single do Vampire. Desviei do primeiro post, pulei o segundo, me esquivei do terceiro, até que.. Até que me resignei. Vamos acabar logo com isso. E dei o play. Convido você a fazer o mesmo, logo aí abaixo, na esperança de que não tenha uma personalidade previamente sugestiva e influenciável.
E então? Agora sim. Com o novo hit, o amadurecimento da banda, agora sim é possível formar um diagnóstico definitivo: "Bando de playboys branquelos maricas, obcecados por Paul Simon!".
A inglesa Wilkinson Sword conseguiu uma proeza. Na comunicação da sua linha de aparelhos de barbear Quattro, a empresa foge completamente do lugar-comum, ainda que utilizando o argumento de venda mais clichê do ramo: a conquista de uma pele de bebê. Posso citar pelo menos 10 aspectos que tornam isso possível na campanha "Fight for Kisses" (tá bom, já pode clicar no video. Vai lá!).
1°) A utilização de um filme em 3D. 2°) A linguagem cinematográfica, em forma de teaser. 3°) A ambientação verossímil da situação clichê-fantástica. 4°) A cuidadosa direção de arte das cenas. 5°) O locutor envolvido, digno de trailler hollywoodiano. 6°) A trilha sonora gangsta-suburbana, contextualizando a narrativa. 7°) A remissão psicanalítica ao complexo de Édipo (ainda que extremamente prematuro). 8°) A estratégia viral, que possibilitou que este post pudesse ser escrito no blog. 9°) O cross media magnífico, com o site possibilitando a interatividade com os personagens. 10°) Por último, a quebra da linha seguida nas peças cafonas da Gilette.
A música começa a reverberar, vem a concentração. Sensação de entrega. A inspiração vai crescendo, tomando conta. Paz interior, que relaxa. A energia se acumula. Até o ponto em que vira força, que conduz à ação vibrante! Paixão, entrega e um prazer incomensurável segue no improvável. Uma fantástica peça de um chocolate. Candbury, Phil Collins e um gorila. Nada mais.
Não dá para saber ao certo qual é o serviço anunciado neste filme holandês. Certamente tem relação com o ramo da saúde, particularmente na área de seguros. Seja como for, misturando em doses toleráveis humor e tragédia, a peça ilustra bem a realidade de quem não possui plano de saúde e, invariavelmente, tem de se enfiar em cada buraco... Isso no Brasil, claro. Na Holanda... Bom, na Holanda, é para alertar os turistas exóticos e aventureiros que vão para o Laos fazer acupuntura.
A cerveja singapuriana Tiger bolou um filme divertidíssimo para ilustrar seu sabor irresistível e mostrar que temos de experimentá-la. Com o conceito "Experimente nesta vida", a peça retrata a epopéia de um personagem que reencarna diversas vezes na tentativa de, finalmente, provar a saborosa cerveja. Bem diferente da preguiçosa e imbecilóide solução de mostrar o elenco de Malhação fazendo passeata, proferindo um grito de guerra fácil, para depois mostrar o Zeca Pagodinho no final, bebendo.
Os mashups de longa-metragens estão ficando cada vez mais sofisticados. E mais engraçados. Este que segue é uma paródia do filme 300. A diferença é que não se trata de uma saga de espartanos resistindo à invasão persa, mas de mexicanos que invadem San Diego. O detalhe charmoso do trailler fica por conta da caracterização clichê dos personagens, da pronúncia chicana do inglês e da vinheta de assinatura.
Na mitologia grega, o personagem era rei, ganhou a dádiva de um deus (Dionísio, deus do vinho) e tudo o que tocava virava ouro. Neste filme, o protagonista é um negro melancólico, que transforma tudo em que encosta nos confeitos Skittles. Bacana a narrativa.
Este video está rodando mundo afora. Sugere a aparição de seres extraterrestres no Haiti. É bem feitinho e tal. Não fosse um "ahh!" fake do suposto cinegrafista amador, logo no início, para demonstrar sua surpresa diante dos UFOs, até que ele convenceria.
Como estou cada vez mais parecido com a dona-de-casa que culpa o Presidente pelo aumento do preço do Chicabom, para mim isso é mais uma do GFDP do JJ Abrams. Tenho certeza.
Foi uma aposta ousada. Retratar na campanha uma briga entre gangues, ainda que de maneira lúdica e fantástica, implicava correr um importante risco de associação de imagem. Mas deu certo. Muito certo. O filme "Don't Stop", do chocolate Snickers, está gerando o maior buzz. E com todo mérito. Criar um conflito envolvendo homenzinhos de sinalização de trânsito, verdes contra vermelhos, acertando as contas no braço, para ver quem manda no pedaço é, de fato, inovar. Após assisti-lo, é possível notar os cuidados para que o mote do "não pare" fosse transmitido com sucesso - como sinal de garra, persistência, perseverança. Não há, por exemplo, incentivo direto ao descumprimento das regras de trânsito, já que envolve apenas a sinalização de pedestres, em situações que passam fora do seu, digamos, "ambiente de trabalho".
Para quem curtiu a trilha sonora e não faz idéia do que se trata (nem eu sabia), aqui a vai a dica: a música chama-se "Let's Roll", do grupo de rap chamado Army of One.
Neste filme, a Mercedes Benz faz alusão a uma disputa que, hoje em dia, na vida real, pega fogo. Protagonizado pelos pilotos da equipe Maclaren, Fernando Alonso e Lewis Hamilton, a peça mostra de maneira divertida a competitividade exacerbada entre os dois, nas situações mais banais e ridículas. A trilha sonora infantil dá o tempero especial às situações retratadas. O final é cômico, pois envolve na trama um terceiro personagem, muito popular em sua época.
O conceito deste filme do Honda Accord não é dos mais originais. Falar a verdade, é bem batido. Mas é sempre divertido ver essas armadilhas inspiradas no desenho Tom&Jerry, em que um objeto vai empurrando ou acionando o outro, seqüencialmente e orquestradamente, até que o objetivo final (sempre o mais boboca possível) seja atendido. A trilha sonora e a assinatura dão um charme especial à peça.
Cansado daquelas demonstrações de eletrodomésticos à lá Polishop, Shoptime e correlatos? Pois então assista este da empresa francesa Moulinex. O filme mostra de forma simples e lúdica as funcionalidades do produto sem cair no tédio dos infomerciais, com seus entusiasmados apresentadores. A trilha é de primeira também.
Neste sensacional filme da Nike, um ilustre narrador (revelado apenas no final) conta a trajetória do mais completo tenista do mundo, hoje e sempre, o suíço Roger Federer. É simples, mas envolvente. E muito carismático. Ao longo dos 60'' da peça, a narrativa vai crescendo em emoção, impulsionada por uma trilha sonora suave e tocante, mostrando o início da carreira, os receios, percalços, habilidades e glórias do atleta, até chegar ao clímax, em que ele é apresentado formalmente: "(...) his name is Roger Federer". Corta a cena. Corta a música. O narrador é revelado e, com grande descontração, alerta: "But my name is..." Feito o reparo, o final é no ponto: "por isso, amigão, vamos com calma".
Profissional com mais de 10 anos de experiência no ramo de Comunicação, Marcelo Fernando Costa é Jornalista, Master in Business Administration em Gestão Empresarial, com especializações em Marketing, Planejamento Estratégico, Finanças e Qualidade. Atualmente, é Diretor de Marketing e Estratégia da OMM Holding, grupo do qual fazem parte a M.Gonçalves Publicidade, a Biocomm Comunicação, o NIC Meios e a Santo Forte Filmes.